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09/01/2018 | Associado da C.Vale cultiva de soja em microcamaleões

Numa região em que duas tradições gaúchas ostentam sua força por números e pela cultura, uma inovação vai ganhando espaço. O estado responsável por dois terços do arroz brasileiro e onde homens trajando bombachas, bota e espora conduzem gado pelos campos agora experimenta o cultivo de soja irrigada, mas não por pivôs. No terceiro maior município em extensão territorial do Rio Grande do Sul, o produtor Luis Henrique Gomes resolveu abrir espaço para o cultivo de soja através de uma nova tecnologia, aproveitando a estrutura já existente para o cultivo de arroz. Na lavoura de solo arenoso de Itaqui, próximo à fronteira com a Argentina, ele começou dedicando 100 hectares à soja preparando o solo com sulcos e microcamaleões. Ele planta a soja sobre os microcamaleões a um intervalo de 50 centímetros entre um e outro. Nas terras baixas do pampa, os sulcos têm dupla finalidade: irrigação e drenagem.

Tradicional produtor de arroz, Luis Henrique possui duas bombas que, atualmente, servem para abastecer a lavoura de 1.800 hectares. São dois "monstros", um de 60 e outro de 75 centímetros de diâmetro, alimentados por dois motores de 350 cv cada, que jogam 2.500 litros de água por segundo nos canais de irrigação. "Eu uso a sobra de água do arroz para a soja", explica o produtor. Ao longo de seis anos, ele foi ampliando a área de soja e, na safra 2017/18, está dedicando 1.150 hectares à cultura pelo novo sistema. A principal vantagem da tecnologia é a segurança que ela oferece ao produtor. "Dessa forma não tenho perda nem por seca nem por excesso de chuva", justifica. A água, tanto para irrigação, quanto para drenagem de excessos, corre pelos sulcos por gravidade, já que o solo foi originalmente adaptado para ter declividade para o cultivo de arroz. Para reduzir o risco de erosão e também para ajudar a controlar ervas, a soja é plantada sobre palhada de aveia.

A soja foi uma alternativa para reduzir a dependência do arroz já que as margens de lucro do grão estão apertadas com o ingresso do produto do Uruguai, Argentina e Paraguai. "O ICMS sobre o arroz estrangeiro é menor que o do arroz nacional", justifica o colorado nascido em São Borja, mas morador de Itaqui desde 1980.

Luis Henrique: sulcos entre linhas de soja para irrigar ou drenar o solo

Raio X Agropecuária

Osvaldo Gomes e Filhos

1.800 hectares de arroz

1.150 hectares de soja

100 hectares de milho

700 cabeças de gado

 

Produtividades

Arroz irrigado - 180 sacas/hectare

Soja microcamaleão – 63 sacas/hectare

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