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31/08/2017 | Milho safrinha: Produção em alta, preços em baixa

Aumento da produção de milho puxou para baixo os preços do grão

Foi uma safrinha de milho de altas produtividades. Estimulados pelos altos preços do grão no ano passado, os produtores brasileiros ampliaram em 12% a área de cultivo em 2017 esperando bom retorno financeiro. O desempenho das lavouras até que agradou considerando-se as adversidades climáticas, mas a boa produtividade ajudou a puxar para baixo as cotações do grão que já vinham sendo pressionadas pelo alto nível dos estoques.

O associado Plínio Salla avaliou como satisfatório o rendimento dos 112 hectares de milho que cultivou em Assis Chateaubriand. Ele fechou a colheita com média de 91 sacas/hectare e alta qualidade de grãos. "Plantei entre 17 de fevereiro e 1º de março, um pouco atrasado por causa da soja de verão. Se tivesse plantado um pouco antes, o milho não teria sofrido tanto com as chuvas", comenta o produtor. O engenheiro agrônomo da C.Vale Maicon Aleixo calcula que o excesso de chuvas e de dias nublados durante o mês de maio e o início de junho reduziram em 20 sacas/hectare o desempenho da lavoura. "As doenças fúngicas tomaram conta, principalmente a mancha branca", revela.

Associado à C.Vale desde 1979, Plínio entregou toda a produção à cooperativa e vai esperar por preços mais atrativos para comercializar o grão. Ele tem consciência de que negócios a R$ 40,00 a saca como fez no ano passado vão demorar a se repetir, mas como comprou os insumos à vista pode aguardar por preços mais atrativos.

No centro-oeste do Paraná, a família Mendonça também ficou satisfeita com a produtividade média de 111 sacas/hectare. Em 2016, o rendimento ficou em 97 sacas/hectare devido às geadas, informa Gabriel Mendonça. Ele, a esposa Simone e os filhos Thiago e Lucas cultivam 689 hectares na Fazenda Cravinhos, em Quinta do Sol. Conforme Lucas, o desempenho poderia ter sido ainda melhor este ano se o período de dias nublados não tivesse sido tão longo. No entanto, ele considera que a perda de potencial produtivo foi compensada pela estratégia de comercializar 65% da safra antecipadamente. "Aproveitamos uma oportunidade de contrato que a C.Vale nos ofereceu", resume Thiago.

Em Mato Grosso do Sul, o clima foi semelhante ao do Paraná. Primeiro foi uma estiagem de 27 dias que atrapalhou o desenvolvimento vegetativo do milho. Depois, o excesso de dias nublados e chuvosos prejudicou o enchimento dos grãos nos mil hectares da Fazenda Piloto, em Dourados. Esse fator levou a uma grande pressão de doenças. Mesmo assim, Sérgio Watanabe e o pai Katsunori conseguiram concluir a colheita com 120 sacas/hectare, número 71% maior que a média de 2016, quando a estiagem atingiu a lavoura durante a floração, prejudicando a formação dos grãos. Na região, a média dos últimos cinco anos variou entre 100 e 110 sacas/hectare. Sérgio fechou contratos de venda antecipada de uma pequena parte da produção de 2017 e agora vai esperar para negociar o restante.

Plínio, com as carteiras de sócio da C.Vale dele e do pai, já falecido, ampliou a produtividade em 22%

Plínio Salla

Município: Assis Chateaubriand (PR)

Área: 112 hectares

Produtividade 2016: 74 sacas/hectare

Produtividade 2017: 91 sacas/hectare

Diferença: + 22 %

Custo 2017: 66 sacas/hectare

Sérgio e o pai Katsunori Watanabe na Fazenda Piloto, em Dourados (MS)

Família Watanabe

Município: Dourados (MS)

Área: 1.000 hectares

Produtividade 2016: 70 sacas/hectare

Produtividade 2017: 120 sacas/hectare

Diferença: + 71%

Custo 2017: 83 sacas/hectare

Gabriel e o filho Lucas: contrato de venda antecipada garantiu preços melhores

Família Mendonça

Município: Quinta do Sol (PR)

Área: 689 hectares

Produtividade 2016: 90 sacas/hectare

Produtividade 2017: 111 sacas/hectare

Diferença: + 23%

Custo 2017: 90 sacas/hectare

 

Excesso de oferta derrubou cotações

Se o rendimento das lavouras agradou à maioria dos produtores, a desvalorização do milho complicou o resultado final. Os preços do grão caíram muito em relação aos de 2016. Quem fez contratos para venda futura se deu melhor. "Temos produtores que comercializaram de forma antecipada, garantindo até R$ 30,00 por saca. Agora em agosto os preços estavam na casa dos R$ 16,00", revela Leandro Bertuzzo, gerente regional da C.Vale em Mato Grosso do Sul.

O aumento da produção interna de milho foi o principal responsável pelo tombo nos preços do grão. Os fatores externos influenciaram menos. No início de agosto, por exemplo, as cotações do cereal na Bolsa de Chicago estavam até mais altas que na mesma época de 2016 e o dólar estava nos mesmos patamares. "Saímos de 40,7 milhões de toneladas na safrinha do ano passado para 66,6 milhões de toneladas este ano. São quase 26 milhões de toneladas a mais no mercado. É isso que explica a queda dos preços do milho", diz gerente do Departamento de Operações e Mercado da C.Vale, Alexandre Tormen.

 

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