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16/07/2015 | El Niño pode ser o mais forte dos últimos 50 anos

Fenômeno é responsável pelo excesso de chuvas para o Sul do Brasil

As previsões para o El Niño deste ano começaram a mudar a medida em que o fenômeno vem ganhando força e agora, segundo informa a meteorologista sênior do instituto norte-americano AccuWeather, Kristina Pydynowski, esse pode ser o mais forte dos últimos 50 anos. As últimas previsões indicam ainda que o fênomeno poderia durar até o verão de 2016 na América do Sul e primavera do ano que vem na América do Norte. De acordo com o NOAA - departamento oficial de clima do governo dos EUA - há 80% da chance desse cenário se confirmar.

Para o Brasil, os primeiros efeitos já estão sendo sentidos: o excesso de chuvas na região do Sul do país e as previsões de mais precipitações intensas nos próximos dias. Afinal, este é o primeiro inverno brasileiro sob influência do El Niño em mais de meia década, conforme explica o professor Eugenio Hackbart, do blog de meteorologia Metsul. 

"O El Niño, nesse período do ano, tem o efeito de bloquear a passagem de frentes frias no sul do Brasil, ou seja, elas avançam, mas não conseguem sair com tanta rapidez. Então, elas ficam estacionadas, atuando na mesma região por vários dias consecutivas, gerando altos volumes de precipitação", explica a meteorologista Estael Sias, também do Metsul. 

E associado ao El Niño, há ainda, segundo Estael, a atuação de um outro fenômeno - a Oscilação Madden-Julian (OMJ) - que é uma instabilidade de ciclo de 30 a 60 dias e gira todo o globo terrestre e que deve coincidir sua passagem pelo sul da América do Sul nos próximos dias. 

"Temos o fator climático, que é o El Niño, o desenvolvimento do inverno com a passagem de frentes frias e ainda mais essa instabilidade associada à OMJ. Então, temos estes três fatores atuando em conjunto. E olhando para o oceano Pacífico Central hoje vemos um aquecimento muito grande, com a formação de um El Niño clássico, com intensidade de moderada a forte e toda a região, desde a costa da América do Sul até a região Central já registrando temperaturas muito acima da média", explica a meteorologista. 

Assim, o quadro para os próximos meses é preocupante para a agricultura, principalmente durante o inverno nos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. O frio deve vir em curtos períodos e o excesso de chuvas exige atenção. Entre agosto e setembro - com a chegada da primavera, os temporais devem se intensificar. A umidade, ainda de acordo com informações do Metsul, deverá ficar acima da média nos três estados do Sul, e um cenário semelhante poderá ser sentido ainda no Sul de Mato Grosso do Sul. 

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