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20/11/2013 | Brasil vê o mundo de cima com agronegócio

Em 50 anos, país entrou para o grupo dos líderes na produção de alimentos

Maior exportador de soja, Brasil vai assumir liderança também na produção da oleaginosa

De importador de alimentos a celeiro do mundo. A trajetória que o agronegócio do Brasil trilhou nos últimos 50 anos tirou o país da condição de jogador de segunda divisão para a condição de uma das principais estrelas mundiais do setor. A agricultura de subsistência dos tempos em que as áreas agrícolas ainda estavam sendo abertas por colonizadores, principalmente a partir dos anos 1960, foi se modernizando com a mecanização, atendendo ao mercado interno, e começou a ganhar força e importância como exportador da década de 1990 em diante.
O salto dado pelo agronegócio brasileiro, nas últimas cinco décadas, foi impulsionado por uma mola formada por um conjunto de fatores. Os especialistas consultados pela revista C.Vale não chegam a um consenso sobre os principais motivos dessa evolução, mas os recursos naturais estão entre os mais citados. Um país continental em que o clima e o solo permitem até duas safras por ano em boa parte dos 53,3 milhões de hectares cultiváveis por si só já constitui um extraordinário potencial produtivo. O melhor exemplo desse poderio é Mato Grosso, onde ocorreu a mais significativa expansão da produção agrícola brasileira. O estado que, até os anos 80, era sinônimo de terras baratas sofreu uma “invasão” de agricultores do Sul do país e em apenas três décadas tornou-se o maior produtor de grãos do Brasil. A área territorial de 903 mil quilômetros quadrados é maior que Alemanha, Espanha e Bélgica juntos. O estado abriga o município de Sorriso, maior produtor de soja do mundo, com 35 milhões de sacas em 2012.

Liderança brasileira
Produtividade média da soja – 2012/13
(em sacas/hectare)

 Brasil  50
 Estados Unidos  44
 Argentina  42
Fonte: Usda

INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS
O chefe adjunto de transferência de tecnologia da Embrapa Soja de Londrina, Amélio Dalla’Agnol, entende que a possibilidade de explorar safra e safrinha numa mesma área foi decisiva para a expansão do agronegócio brasileiro. Mas esse é apenas um dos aspectos. As inovações tecnológicas também deram contribuição fundamental para o aumento da produção agrícola. Manejo do solo e de pragas e doenças, rotação de culturas, integração lavoura-pecuária, melhoria da nutrição das plantas, modernização de máquinas e implementos, e a biotecnologia elevaram os níveis de produtividade e fizeram o Brasil subir degraus rumo à liderança do agronegócio mundial, afirma Dalla’Agnol.
Narciso Barison Neto, presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas, vê o melhoramento genético como fator-chave para o crescimento da produção agrícola brasileira. “A semente foi a grande responsável pelo aumento da produtividade e da renda do agricultor brasileiro”, enfatizando os avanços proporcionados pela transgenia.
Dall’Agnol acrescenta que outros três fatores ajudaram a alavancar o agronegócio: o crescimento econômico mundial, que ampliou a demanda por alimentos, o empreendedorismo dos produtores e o acesso a informações tecnológicas.
Foi assim que o Brasil alcançou, por exemplo, a condição de líder mundial em produtividade de soja, com 50 sacas/hectare.

ABERTURA COMERCIAL
A ascensão do Brasil também se deu em função da abertura comercial do país. Nos anos 90 o governo federal editou medidas retirando o ICMS das exportações agrícolas e definiu outras regras que impulsionaram as vendas ao exterior, principalmente de açúcar. A melhoria no sistema de defesa sanitária também favoreceu as exportações de carnes. E a perspectiva continua sendo de forte crescimento. Nos próximos 10 anos, a produção brasileira de grãos deve crescer 38 milhões de toneladas, segundo projeção do Ministério da Agricultura.

Projeção de produção
Brasil - (Em milhões de toneladas)

Soja

 2012/13    2022/23
 80,2  99,2
Variação: +21,8%

Milho

2012/13  2022/23
 77,98          93,6
Variação: +20%

Produção de grãos

 2012/13    2022/23
 184,2   222,3
Variação: +20,7%

Posição do Brasil no comércio mundial de alimentos – 2022/23
 

 Produto  Posição  Participação
 Carne de frango   1º  52,9%  
 Soja em grão   1º   44,2%   
 Carne bovina  2º  23,3% 
 Milho  4º   13,4% 
 Carne suína   4º  12,4% 
 Fonte: Ministério da Agricultura

Infraestrutura freia crescimento

O avanço que o agronegócio brasileiro experimentou em 50 anos poderia ter sido ainda maior caso o país tivesse enfrentado com mais agilidade os dois principais gargalos do setor: armazenagem e logística. Enquanto a produção de grãos cresceu mais de 10 vezes nas últimas cinco décadas, chegando a 184 milhões de toneladas na safra 2012/13, a capacidade de armazenagem é de 121 milhões de toneladas. Isso significa que o Brasil não tem como guardar quase um terço de sua produção. Para complicar ainda mais o quadro, o país tem um sistema de escoamento de safra dependente de rodovias mal conservadas e, muitas vezes, pedagiadas, que encarece nossos produtos no exterior. “Estamos perdendo renda, competitividade e qualidade dos produtos do campo”, adverte Irineu Lorini, presidente da Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapós). O presidente da C.Vale concorda. Segundo Alfredo Lang, o custo com o escoamento da produção é muito maior no Brasil que nos seus principais concorrentes. “Gastamos mais para mandar a produção do Centro-Oeste para os portos do que para enviá-la ao exterior. Precisamos investir mais em ferrovias e portos”, afirma. Algumas iniciativas dão esperança de redução dos custos de escoamento da produção: a inauguração de um terminal ferroviário da Cooperativa Cotriguaçu, em Cascavel (PR), em março, e de um trecho de 260 quilômetros de ferrovia no trecho Alto Araguaia-Rondonópolis (MT), em setembro.
 

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